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Nem o melhor e nem o pior selo

Este é apenas um guia para pesquisar selos brasileiros, atualizado mensalmente a partir de 2020.

Seguimos, desde o ano passado, compilando os EP’s e discos dos principais projetos do gênero no país. Boa brisa!

Você está produzindo som autoral? Envie o link para conhecermos seu som para  danila@veneno.live.

40% Foda Maneiríssimo
O selo carioca trouxe o Estações Esquerdinhas, considerado o disco mais discotecável de todos feito por DJ Guerrinha para tocar nas pistas. A inspiração do nome das faixas veio do nome de estações de metrô do Rio. Utensílios também exibe a faceta mais clubber e dançante de Guerrinha, criador do selo, com brisas de Uk Garage e Breakbeats.  Uma surpresa das boas é o Histórias, estreia do instrumentista Kauan Oliveira, literalmente,  “mestre dos teclados” imergindo numa aventura entre a Disco e o Boogie, beirando o clima enfumaçado e de ombreiras da ítalo-disco, mas numa versão tupiniquim.

Balaclava Records

Mais voltado para o Indie-Rock, os artistas eletrônicos do selo, como Nuven e RØKR, apostam em sonoridades contemplativas, com forte influência de Ambient. O destaque de 2019 foi para o álbum Desordem Natural, do Nuven, projeto do instrumentista Gustavo Teixeira.

Bicuda Records
Originário da festa campineira Bicuda, que também se desdobra na Rádio Bicuda, o selo completa um ano com dois lançamentos emblemáticos de mulheres com experiência de década como DJs de Techno. A brasiliense Mari Perrelli, cuja trajetória começou aos 18, no lendário clube 5uinto, fez o passional Cíclico. Já Sheefit, residente do projeto, assina o EP Janete.
2020 promete ser um ano novamente repleto de consistentes lançamentos de artistas mulheres, como a da produtora Mari Boaventura (Bandida).


 

Chevalier de Pas
Sem dúvida, Tem Conserto, álbum de Clarice Falcão, está entre os lançamentos mais instigantes do ano. Letras confessionais de humor leve para tratar de assuntos pesados, como depressão, conquistam pelas bases eletrônicas impecáveis da sua banda formada por Érica Alves, Lucas de Paiva e Guerrinha (Repetentes 2008).

Coisas que Matam
Selo de sons e publicações feito por Stefanie Egedy e Simon Fernandes. Abismo dos Pássaros é do Governo das Sombras, projeto experimental do experiente produtor Wendl Vcnt, que desenvolve paisagens sonoras sombrias e imersivas somadas à batidas sintéticas, melodias simples, e angústia moderna. Já Discussão Exaltada reúne Mari Herzer (Mamba Negra) e Stefanie Egedy. Na definição da dupla, é uma justa porção de dance music intensamente processada e, noutros momentos, torta. A discussão acalorada e distorcida que corre nas primeiras quatro faixas é sanada num último movimento tradutor, nos próprios sons, da dualidade entre a resolução dramática e a tensão ruidosa. Na sequência, 1989, do músico, compositor e engenheiro de som Muep Etmo músico, compositor e engenheiro de som. Utilizando um piano Essex preparado pelo lado externo como base de boa parte do EP, .as músicas refletem uma fase mais fuzz , munido de guitarra somadas com kick digital. Ricardo Carioba, artista audiovisual, assina /​/​/ /​/​/​/, que conforme Guilherme Werneck : As nove faixas da fita nos levam por uma viagem espacial. Construídas como nas esculturas, partem de um processo de subtração e contorno, em vez da tentadora adição de camadas sobre camadas de som. Juntas, elas trabalham em dois sentidos. Um, extremamente atual, é a materialização de uma ideia de como os sons, de forma física, podem constituir uma arquitetura particular, criando “espaços dentro do espaço. A segunda é a criação de uma narrativa pós-gênero, em que o centro é a liberdade de se produzir sozinho, deixando que o caos e a imprevisibilidade sejam os condutores de uma viagem pessoal, de uma estética que parte da intersecção entre a cultura da música eletrônica percussiva quanto da composição clássica contemporânea, buscando confrontar seus lugares-comuns. Criador de projetos relevantes na produção experimental paulistana, como Tarde Abstrata e Existe Pista Após a Morte?, Carlos Issa lança como Objeto Amarelo o disco Tudo Presente. O presente é uma contração do passado ‘’Tudo Presente’ traz consigo esse lembrete e o resquício que sempre permanece. Presente em distintos territórios sonoros desde 1999, Objeto Amarelo vem com 14 faixas de sua produção atual, mas que tem em si as marcas dos tempos anteriores. De personalidades múltiplas, existencial, punk e dançante ‘’Tudo Presente’. O produtor Alys, residente em Berlim, revisita gravações de campo, sessões ao vivo, bateria processada e ritmo sincopado na obra.

DarqDistro
Na estreia do selo criado pelo núcleo DarqDistro, as quatro faixas do produtor Naíche surpreendem pela mistura de pós-punk com electro, que bate muito bem na pista. Naíche tem como base o Punk e o Metal, pois tocou (e toca) em algumas bandas, como Sitinglass, Magim e KIll Moves. Começou sua pesquisa em frequências eletrônicas graças a Lavanderia – casa coletiva da qual fez parte em Curitiba durante quatro anos.Destaque para a faixa Bela Vista, um feat com Takeshi.

Domina
Valesuchi e ótimoKaráter abriram o ano de 2019 com [DOM007] Split EP, cuja gravação de pegada lo-fi é um resgate da parceria que rolou em 2016. A proposta de fazer uma ponte artística Rio-Sp é marca da Coletânea # 1 [DOM008] , embarcaram nessa trip: Acaptcha e Objeto Amarelo, HUNO feat. JK , Tantão e Os Fita, Monjope, Sérvio Túlio e Orquestra Ektoplasma, Elionor Emu , Frontinn, Operação Mínima, Domina Live e Lucas. Em [DOM009] DEDO – Fashion Week, Arthur Lacerda, Lucas Pires e Rafael Meliga mostram faixa gravada ao vivo para o desfile da marca Beira na SPFW, além de remixes de Amanda Mussi, Mari Herzer e Stefanie Egedy. Uma noite de imersão experimental de som, performance e teatro na Galeria Jaqueline Martins ficou registrada no álbum [DOM010], Começo de Século, que contêm algumas faixas gravadas ao vivo no evento.

Galope Discos
Auto definido como selo de música experimental, radicado na cidade de Pouso Alegre (MG). Sua proposta é lançar trabalhos de músicos locais e fomentar a cena musical da cidade com artistas de outros lugares do país e do mundo.

GOMA.rec
Localizado em Porto Alegre, tornou-se uma referência como vitrine da criativa cena eletrônica local. Technovinho trouxe o Pinoquismo, cheio de experimentalismos com Techno, até com batidas mininalistas. Marcelulose surge com T U E, álbum permeado por ruídos da cidade grande construídos por Roland TR808 e TB303, do Industrial ao Electro. Tha_guts assina Moog Lovers, uma incursão pelas possibilidades de experimentos do sintetizador Moog com House, Acid e Lo-fi. O EP apresenta dois remixes da faixa Moog Lovers, um feito por Mariana Perrelli e outro por Norus e Albin. O EP Ressonância do produtor fr0g reverbera uma onda de Lo-fi House e outras brisas. rlllk é o projeto de Téo Coelho, na ativa há seis anos entre o Techno e a variedade das melodias do jazz, com as quais ele cria sua identidade musical.

Gowpe

Na época do lançamento do “Agir Nervoso”, trocamos uma ideia com o produtor RHR, responsável pela masterização e um dos idealizadores do selo Gowpe, no qual o EP foi lançado. Também batemos papo com Stefanie Egedy, artista multidisciplinar, dona de experimentos sonoros interativos com ondas luminosas e vice-versa. Além do projeto solo, ela se apresenta ao lado da iluminadora francesa Camille Laurent em performances audiovisuais surpreendentes, nas quais som e luz se retroalimentam, e constroem novas narrativas técnicas e estéticas. 

Confira os dois lados e perspectivas de uma mesma produção musical.



Quais foram os motivos que impulsionaram seu interesse de pesquisa sobre ondas de baixas frequências? 
Stefanie: Como alguém que ama dançar e estar numa pista dança, fui percebendo que as ondas de baixa frequências sonora (os subgraves e graves) me seduziam. Ficávamos horas juntas, entre danças e pensamentos. Comecei a perceber os efeitos desse tipo de som no meu corpo, o bem-estar que eu sentia depois de ficar horas em frente ao subwoofer, a direção que esse som trazia pro meu dançar e, principalmente, ao escutá-las/senti-las, uma sensação de sentido muito forte. Hoje, de maneira mais clara, percebo que eu já sabia que era isso que eu queria estudar: os sons subgraves e graves. 

De qual forma você transpõe esse conhecimento [pesquisa sobre ondas] ao seu trabalho de produção musical? Rola influência também quando você toca em um club/festa? 
Stefanie: Digamos que essa pesquisa faz parte do meu pensamento, da forma como eu componho e concebo o som. E a mix que eu faço costuma ser mais puxada pro grave. E também tem toda uma frente do que faço que pode ser apresentada sem subwoofers, afinal nem só de graves vive a mulher. Mas sim, eu acho que sou a louca dos graves, rs. Eu amo ele. Dos locais nos quais eu toco as festas costumam ser os espaços com mais subwoofers, então eu aproveito isso na mixagem do som e nas densidades graves que eu posso apresentar naquele momento. Mas, eu também valorizo muito a dinâmica no som, no sentido de buscar saber o momento de colocar ou tirar algo na composição ou durante uma apresentação.

Como a luz interfere na sua atuação musical em formato de performance?
Stefanie: Como desde que eu comecei a fazer som eu já trabalha também com a Camille Laurent (lighting designer), primeiro indiretamente, eu na sonoplastia e ela na luz de uma companhia de dança,  depois, diretamente, quando nos juntamos na nossa pesquisa sobre a suspensão, ainda que momentânea, do controle físico e mental por meio da espacialização da luz e do som, a luz sempre se fez muito presente. No caso dessa parceria com a Camille,  formamos uma terceira linguagem, é um composição à quatro mãos sonoro-luminosas. O nosso intuito é reconfigurar os espaços sensoriais.Dentro desse contexto, uma não existe sem a outra e é incrível com a luz e a Camille me ensinaram outras curvas que eu posso trazer ao som. 

Conte um pouco sobre o processo criativo do EP. Qual foi o setup e por quê escolheu esses equipamentos?
Stefanie: Em dezembro de 2018, eu estava no Rio de Janeiro para apresentar o trabalho ‘’Falha Comum’’ no Festival Novas Frequências. Achei que seria o último trabalho do ano e eu tinha me programado pra ficar durante todo o festival lá no rio e voltar pra São Paulo dia 13. Eu recebi o convite para fazer um live na Mamba Negra, o que me deixou extremamente feliz. Mas, ao mesmo tempo, fui me preparando para construí-lo em poucos dias, porque a Mamba seria dia 22. Cheguei em São Paulo, entrei em imersão total no estúdio. Tinha decidido fazer umas 13 faixas e ensaiar. Foram dias bem intensos, daqueles que você vai até o talo, mas dorme satisfeita. O live ficou pronto, a festa foi linda, a atmosfera estava demais. Em Janeiro, eu gravei essas faixas, e na época, o Igor Girio estava em São Paulo e combinamos que ele iria mixá-las. Eu tenho um grande carinho por este processo. A mix é dele e a masterização do RHR.

O setup foi uma Vermona Performer MKII, uma octatrack MKII, a Analog Ryta MKII e gravador para as gravações de campo.

Quem fez a arte?
Stefanie: Foi o Leonardo Faria que faz o selo junto com o Roni, eu simplesmente adorei a arte logo de primeira. Tanto a arte da capa do EP quanto das premieres, teve uma pela ONWAX e outra pela SNM. Sou fã do trabalho dele no geral.

De que jeito rolou a conexão com o RHR?
Stefanie: O Roni viu os stories que eu postei do live feito na Mamba Negra. Ele gostou dos sons e me convidou para lançar alguns pela GOWPE. Então, estávamos desde janeiro nesse processo. Começou com o live, foi para gravação das faixas, a mix do Igor Girio, eu o Roni selecionando as que iriam para o EP, a masterização do Roni, a capa com o Leo, as cassetes, as premieres, a remix do RHR e muita conversa.
Eu sou muito grata a todos que participarem de todo esse processo. A comunicação com o Roni foi sempre muito aberta, a gente mandava a real um pro outro do que estava pensando sobre isso ou aquilo e no final ficamos bastante contentes com o resultado. 

Qual é a sua formação musical? Toca algum instrumento musical?
Stefanie: Não tive uma formação tradicional. Comecei como autodidata, mas sempre cruzei o caminho com pessoas que me ensinaram muito. Como o Muep Etmo, que foi um dos meus mestres, me apresentou uma série de conhecimentos e jeito de pensar o som. Conheci ele na DAHAUS, um artist run space, era uma casa numa vila, uma espécie de ateliê. Fomos expulsos de lá. Mas os os dois anos de DAHAUS me trouxeram muitos aprendizados, seja montando PA, montando as bandas/pessoas que iam se apresentar lá. E com os outros dahausers, como o Manuel Pessoa de Lima que compartilhou muitos conhecimentos comigo, sou muito grata. Foi lá também que eu conheci o Simon, aí montamos a banda e o selo COISAS QUE MATAM, ele foi outra pessoa que me ensinou muito sobre o pensamento artístico. Fiz também um curso de mix/master na Beatmasters – Audioinnovations com o Wendl, lá aprendi muito também. No curso ele me mostrou muito além de mix e master, aprendi bons truques de sound design.

Existe uma proposta curatorial por trás da RISCO? Quais artistas já se apresentaram no evento e por que você as escolheu?
Stefanie: A Risco é a festa que eu e a Mari Herzer fazemos juntas. Tudo começou quando a gente conversou pela primeira vez, descobriu que uma não odiava a outra e que as duas enquanto tocavam ficavam concentradas e que isso refletia numa expressão facial que o senso comum pode ler como brava. Inclusive achávamos isso uma da outra, dado que já tínhamos passado a pista uma pra outra e não tinha rolado ainda uma conversa muito significativa. Enfim, quando conversamos, nós adoramos, decidimos fazer um EP e fazer uma festa para lançá-lo. Assim que começou. Hoje  nos tornamos parceironas, nos divertimos, além de trocarmos bastante conhecimentos sonoros uma com a outra. Foi um match (risos). Por enquanto, toda edição foi um showcase de algum selo. A primeira foi do COISAS QUE MATAM, com o lançamento da nossa cassete ‘’Discussão Exaltada’’, e convidamos a Laura Diaz para apresentar o seu live. Na segunda edição foi o showcase da Gowpe, tocamos eu, RHR e ACAPTCHA e a terceira foi o showcase da Criminal Romantic Records, no qual Cesar Brandão lançou o seu álbum e fez um show com o Bruno Palazzo, o Objeto Amarelo abriu com um DJ set, eu e Mari Herzer fechamos num B2B.

Quais são os outros projetos musicais em que está envolvida além da apresentação solo?
Stefanie: Tem o projeto de luz e som com a Camille Laurent, tem a parceria junto com o Simon Fernandes no Coisas que Matam e fazemos outros projetos que misturam imagem, objetos e som.  Ainda rola a banda Nada do Outro Lado, com o Simon e o Muep Etmo. Além da parceria com a Mari Herzer, tanto fazendo lives como no B2B, e o NIF,que é B2B com a Victoria Ortiz (Caldo).

RHR, produtor do selo Gowpe e residente do Omnidisc.


Como você conheceu a Stefanie? De forma rolou o processo de masterização?
RHR. Foi em Curitiba, na casa de uma amiga nossa, era encontro/churrasco de amigos. O meu processo de masterizar faixas é: escuto a faixa,  vejo o que ela necessita, faço o balanço tonal depois, vou colorindo as coisas, dou punch e depois volume (parte mais perigosa) é do estágio de ganho final. Eu gosto de fazer masterização artística e não somente técnica, a maioria das minhas masters são focadas no sub bass propositalmente.

Por que a Gowpe a escolheu? Quais traços da musicalidade da Stefanie que são afeitas ao selo?
RHR. A Gowpe sempre busca sons substanciais e que demonstrem características profundas do criador. É como essa sensação que temos quando um som é criado por um latino americano, [nota-se] pelas síncopes e pelo jeito de montar o arranjo. A Stefanie  experimenta muito, tem um som visceral e minimalista. E,principalmente, ela ama Sub LowEnd, nós amamos também.

Qual é a sua principal brisa quando você tem uma masterização para ser feita? Como é seu processo criativo nesta situação? Quais outros artistas você já fez master?
RHR. Conforme eu citei anteriormente, eu gosto muito de Sub Bass e gosto de ir contra esse padrão over de distorção nos médios para soar muito alto. Não vejo tanto sentido em fazer uma master completamente quadrada nos médios só para soar “to big”. Mas isso sou eu e cada um faz do jeito preferido.

O processo criativo não muda tanto, porque master é um processo técnico que no meio do caminho você insere suas perspectivas e impressão sónica, checa se tem problemas de fase em partes importantes do range de frequências, faz o balanço tonal (sempre enfatizando os subs) e depois os estágios de ganho, que é a parte mais complexa, na minha opinião. Como eu não tenho estúdio profissional, as coisas podem piorar ainda mais neste estágio. rs.

Eu faço master para os meus trabalhos e o de amigos. Eu não encaro isso como profissão, porque existem engenheiros  especializados só nisso e muito melhores do que eu, e utilizam os equipamentos devidos. As masters da Gowpe no geral são feitas por mim

JARDIM
Se você quer ficar ligado na produção nacional, esta coletânea é altamente recomendável. O compilado feito pelo produtor Lucas Rampazzo agrupa uma vasta lista de artistas brasileiros. A lista é um belo recorte da cena experimental eletrônica brasileira. Foram escalados Acaptcha, A. Cassius, Objeto Amarelo, Bad_Mix, Carla Boregas, M. Takara, Barulhista, Adachi, Lucas, Sue, Eddu Ferreira, Tom Monteiro, ursa menor, Stefany Egedy, HE1RD, Innyster, Fronte Violeta, ZEROUM, Thiago Chacal, MJP, Acavernus, Felinto, Indemia, Rafa Electronics, Lucindo, Raquell Krügel, Horca, The Radio Droids, Os Camaradas do Tempo , Bruno Palazzo , C E S A R , G.Paim, Bella, Antiline, Black Snake 808 , Yatho, Ariel Teske, Pedro em Ibiza, Aeoner, Juliana R e Akin Non Exist . JARDIM é um espaço incomum para a exibição, cultivação e apreciação de plantas, flores e outras formas de natureza.É também um projeto de mapeamento da flora audiovisual autoral, reunindo artistas locais em ações de intercâmbio criativo”.

Lugar Alto

Zé Eduardo Nazário foi escolhido pelo selo em 2019 para ter Poema da Gota Serena relançado, disco até então raro e caçado por colecionadores de vinil. Nazário é baterista e percussionista, já tocou com Hermeto Pascoal e destacou-se por enveredar por outras sonoridades além da Bossa Nova e do Jazz, estilo muito pesquisado pelo artista, que também é professor universitário. Lugar Alto se firma como mais um projeto de resgate da cultural musical brasileira, ao lado do Selva Discos.

MAMBArec
Em 2016, Cashu e Carneosso resolveram criar o selo do coletivo Mamba Negra. a MAMBArec. Desde a estreia com o EP Gasolina, da banda TETO PRETO , ainda com L_cio na formação, primeiro trabalho do catálogo, uma sucessão de lançamentos de curadoria precisa atiçam a curiosidade para saber o que esperar em 2020. Dois álbuns marcaram a produção do MAMBArec neste ano. Valesuchi gerou o passional Tragicomic, uma espécie de diário íntimo da artista traduzido em músicas. Nas palavras dela, o álbum “É sobre o tempo passar, ter paciência e se sentir impaciente. Tragédias privadas e públicas. Alguns são íntimos e muitos têm a ver com todos nós”
Destaque para Humour, faixa de videoclipe com protagonismo da performer e DJ Valentina Luz , cuja direção é da Carneosso. Suffering traduz a angústia de forma delicada, um convite à imersão interna em pensamentos e sensações contraditórias ressoadas pelos beats e clima lo-fi.
No primeiro semestre, Martinelli trouxe o consistente disco Sem Sono, sustentado por tracks que utilizam maquinário clássico, como Roland 303, 808, 909, DX7, mas interagindo com outras tecnologias e novos contextos.

Massa Records
A faixa homônima do EP Proibidão de Renato Cohen e Rosco Sledge, vem com novas versões nas mãos dos remixes de Repetentes 2008, Selvagem e Trepanado, um dos lançamentos da label de Renato Cohen e Fernando Moreno. Lucas Kid trouxe o EP Casa, com um remix intergalático de Zopelar em “Leva”. Já o mode_alone saiu com Overwhelmed. Mas todos olhos estão mesmo é na Amanda Mussi, DJ expoente da cena Techno brasileira com maior presença em importantes clubes e festas internacionais, da pista principal do Berghain, em Berlin, ao Bossa Civic Club, em Nova Iorque. Ela fez o EP Keyboard Cats, cuja faixa homônima é mais uma combinação certeira de Techno, Breakbeats e outros gêneros. Tarde em Júpiter ganhou remix de Violet, sem contar que marcou presença em muitos sets nas festas paulistanas de 2019.
Por questões de execução de áudio e direitos autorais, a distribuidora internacional do selo, o Kompakt alemão, não é possível encontrar as produções do selo no Soundcloud e Bandcamp. Vale uma caçada no Beatport.

Meia-Vida
Regido pela forte influência do Noise e experimentalismo ruidoso, o selo curitibano investiu em um catálogo de inspirações distópicas. Faixas do álbum Emotional Crime Scenes, como Geisha Modular Speech e Hindu, soam como fragmentos de sons atirados ao infinito, dispersos em um ritmo às vezes entre o Electro ou até Breakbeats. O projeto Guerra Fria assina Al Poder Del Mundo No Esperéis Que Me Incline, feito com um gravador de fitas e conduzido por vocais melancólicos etéreos. O disco Axis O.R.G.S., do I.C.G. -, masterizado por RHR, é uma pira noise de drum n bass quase alteradora do estado de consciência. Antiline, uma das mentoras do selo ao lado de Gustavo Paim, e produziu o Análise de Risco.

Metanol
O coletivo de DJs originado do programa de rádio Metanol também se desdobra em selo, na ativa há mais de uma década. Subversive Thoughts do Nørus, apelido do produtor e engenheiro de áudio Felipe Bortolotti, que já ganhou espaço de lo-fi sounds em canais como EELF, Moskalus, Be-at.tv, Haus of Altr, Palmstructure e We lofi. Estado Sólido revela o talento do jovem produtor Ramenzoni em construir narrativas musicais dançantes utilizando equipos analógicos e digitais. São seis faixas permeadas por House e Breakbeats, sem deixar catalogar por estilos ao misturar várias referências. Se um dia sua festa estiver com a pista vazia, aposte em Solúvel. Para fechar, a manauense Guilllermo e o disco “Lost Adventures” um incursão pelo universo criativo da artista, batidas certeiras de Breakbeats, evoluções para Techno e quase tudo Acid são uma das marcas do trabalho. É impossível escolher só uma faixa para destaque.

Mister Mistery Records
Capitaneado pelo DJ brasileiro Rotciv, residente em Berlim, o selo teve o debute do Vermelho Wonder no EP Nightcrawlers, em 2019, trabalho do duo formado por Márcio Vermelho e Ivana Wonder. Remixes de Massimiliano Pagliara e Rotciv resignificam as faixas Feelings e Nightcrawlers. Viagem lisérgica futurista de Ítalo-Disco com New Wave.

mota mota
A curiosidade é grande para conhecer mais trampos deste selo, Só ouvindo para entender (ou não) as delirantes faixas Acid do EP Noia Passada, da artista MØ.TA.

NADA NADA Discos e Dama da Noite Discos
Os selos parceiros foram responsáveis pelo elogiado Falha Comum, álbum da banda Rakta, preenchido pela acumulação dos loops percussivos do baixo e ritmos repetitivos da bateria que não evocam o relaxamento meditativo.

O Dama da Noite ainda capitaneou o fantástico Oculto pelos Seres, registro pós- punk do Rakta marcado pelas distorções e falas incompreensíveis beirando o surreal e o mágico. Outro título imperdível do selo é a parceria Rakta e Deaf Kids em Forma/Sigilo nas duas faixas, a orgânica Forma, regida por tambores percussivos. E a pesada Sigilo, com solos de guitarras aliados a sonoridades lo-fi ditando um ritmo pós-apocalíptico zumbi.

Formado por Cesar Hiro, Gustavo Paim, Gustavo Estorvo, Lucas Cabu e Paula Rebellato, o projeto Duplo merece destaque pelo Dor Dor Dor, BB. 7, que saiu pelo Nada Nada Records.

ODDiscos
Transpor o ambiente onírico da festa ODD e musicalizar parte deste universo foi um desafio bem executado no selo do coletivo. Na estreia, uma seleta dos residentes Davis, Zopelar, Vermelho e Frontinn, que assina a soturna faixa Superfícies Externas, uma brisa Industrial futurista de melodias viajantes. O segundo lançamento é do duo Vermelho Wonder, um dos projetos musicais mais instigantes e autênticos na cena brasileira, cujas primeiras apresentações foram na festa ODD. A dupla é formada por Vermelho, experiente em pistas diversificadas, do underground a locais como DGTL Amsterdam e Berghain, ao lado da potente voz de Ivana Wonder, alter-ego de Víctor Ivanon devidamente montado e na vibe da sonoridades da dupla, muita afeita a Italo-Disco e New Wave. O Corpo é composto por remixes de Tolouse Low Trax, experiente produtor residente do clube Salon des Amateurs, em Düsseldorf , e do romeno Khidja. Vale ficar de olho no futuro lançamento do selo, álbum de Loïc Koutana, performer do TETO PRETO, prometido para o primeiro semestre de 2020.

QTV
Originado de um programa de improvisos na casa de shows e gravadora Audio Rebel, no Rio de Janeiro, o selo é dedicado à música experimental. Renato Godoy, Alex Zhem e Pedro Azevedo são os mentores da label, cuja falta de futuro político no Brasil regeu o tom acinzentado das produções de 2019. A impecável temporada de lançamentos iniciou em janeiro com Tantão e os Fita. Beats eletrônicos em meio ao noise e synths desgovernados são base para trechos de versos vociferados por Carlos Antônio Mattos, o Tantão, nas setes faixas punks distópicas de Drama. Já o disco Contra Parede é um exercício de desconstrução e reinterpretações de gêneros feito pelo produtor Lucindo, que utiliza synths e drum machines para destruir milimetricamente estilos musicais e até hits de FM. O clima apocalíptico alimentado pela destruição das florestas brasileiras ronda a produção de Hadron, definido como uma junção de partículas subatômicas, com tal força, que se assemelha à eletromagnética. Feito pela artista Bella,barulhos Lo-Fi, ruídos de animais e recortes sonoros criam uma narrativa perturbadora em meio ao desesperador pedido de socorro feito pela natureza. Na sequência, Pq, da produtora gaúcha SASKIA (ver destaque), um dos discos mais aguardados do ano. O enigmático Fantasma joga aos ouvidos sombras ruidosas, cheias de interferências de rádio com ares de Poltergeist nacional.

Selva Discos
A cada ano, a gravadora reforça cade vez mais o papel de redescobridora de talentos nacionais aparentemente perdidos, mas procuradíssimos pelos colecionadores de vinis e DJs da gringa. O Filhos De Gandhi (Brasingles vol. 3) é Edson Conceição prestando uma homenagem ao Carnaval da Bahia, em sua versão original e imbatível. Memória das Águas de Fernando Falcão foi gravado em 1979 em Paris, mas lançado no Brasil em 1981. O álbum vem completo com explorações de gênero que envolvem paisagens sonoras, Jazz, tendências experimentais, ritmos afro e uma mistura única de grooves latino e pop francês com sotaque brasileiro. Barracas Barrocas, outro de Falcão, originalmente lançado pela gravadora cult de Egberto Gismonti no selo Carmo, em 1987. Em Tudo Faz Sentido (Brasingles vol. 4), é extraído do único disco solo de Taciana Barros, o Janela dos Sonhos (1995), produzido por Mitar Subotic aka Suba.

serever
Esteja Livre Para Morrer é faixa integrante do disco homônimo feito por Rico Jorge, criador do selo, em 2019. A track ganhou quatro versões remix. Marcelo Gerab, Maurício Avila, TYV (Gop Tun) e Rubinskee dão tons que vão da paisagem sonora ao som de pista. Outro trabalho é a coletânea Estado de Confluência, um recorte diversificado e nada óbvio de produtores musicais de várias regiões do país. Destaque para as melodias primorosas de Lua em Lua, uma trip orgânica viajante e contemplativa de Marcelo Gerab. Vale ficar de olho também no Kid from Amazon, produtor de Manaus, que trouxe a faixa Depois da Chuva.

Sinewave
Especializado em música experimental, desde 2008 o selo dá espaço para artistas “fora da curva”. Ruidagem e Noise são elementos bastante presentes no catálogo da gravadora. A lista de artistas do Sinewave com lançamentos é a mais vasta de 2019: Isekai, Duelectrum, Underhand, GRE, Gustavo Jobim, A Sea of Leaves, Dresden, Marv, Umbilichaos, Mike Radice, Verjault, Céu de Vênus, Rádio Morto, Cadu Tenório, Dramón, Lilt, e Kovtun.
Separamos alguns discos.

Isekai, álbum do músico eletrônico-experimental Cadu Tenório, apresenta uma tentativa constante de refutar o engano e uma certeza estagnados. Ao invés disso, se concentra na exploração simultânea de caminhos bifurcados, colhendo sons e perseguindo a melhor forma de eles atravessarem um espírito mais significativo no mundo que se divisa.

Gustavo Jobim mora no Rio de Janeiro, mas seu universo é na Alemanha dos anos 70. Influência refletida em Inverno 2, inspirado diretamente pela cena experimental alemã de bandas como Kraftwerk, Neu!, Faust, Tangerine Dream – a cena popularmente conhecida como Krautrock -, Gustavo já acumula marcos na sua carreira de dezessete anos: integrou o combo experimental carioca Zumbi do Mato, gravou uma colaboração com Conrad Schnitzler (Cluster, Tangerine Dream), tocou ao vivo com Damo Suzuki (Can) e com o Faust, e já lançou mais de duas dezenas de trabalhos de estúdio e trilhas sonoras, incluindo a trilha do filme “Os Príncipes” de Luiz Rosemberg Filho, com o qual ganhou o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original em 2018.

MARV é um grupo que reúne os músicos de diferentes backgrounds, numa experiência de livre improviso. Usam suas referências de música afrobrasileira, eletrônica, jazz e rock numa recombinação que pretende evitar os respectivos clichês. As levadas rítmicas da percussão e baixo vão se alterando ao sabor das provocações timbrísticas das guitarras fortemente processadas, dos samples e tapes capturados das mais diversas fontes.Tudo isso está no disco Mulamba.

Sandosa Garden é o 25° álbum de Verjault. Gravado em agosto de 2016, o álbum díptico contém no primeiro lado, “5 texturas” de recortes digitais e analógicos, nomeadas com símbolos fonéticos em unicode. O segundo, “A morte do homem-morte”, uma afirmativa contra a opressão, conta com 4 partes, sendo duas delas versões de faixas do Throbbing Gristle.

Para quem gosta de Rock instrumental vai curtir Céu de Vênus, uma banda de Post-Rock curitibana. Com a formação atual consolidada no final de 2016, a banda é composta por amigos que se conheceram durante o curso de música no Departamento de Artes da UFPR. Em 2017, a banda lançou o EP Introspectro em parceria com a Sinewave e realizou diversos shows com bandas do cenário independente nacional como terraplana, Kalouv, Adorável Clichê, Sound Bullet, gorduratrans e Confeitaria.

Raphael Mandra quando está como Kovtun torna-se uma entidade oculta, surge com sua música Dark Ambient, Experimental, Industrial, trilha de algum suspense. Já com Rádio Morto ele mergulha em sons mais sutis e viscerais, sua música abrange o contraste entre bits intensos e atmosféricos, às vezes transmutando em uma forma experimental Lo-Fi e distorções dissonantes. Ruidagem nervosa no álbum Metafísica e os Paraísos Artificiais.

Equilíbrio Utopia é o segundo EP do Dramón, projeto de eletrônico experimental do Renan Vasconcelos, guitarrista do Avec Silenzi. O novo EP é sucessor do Ansiedade Morte, seu primeiro EP, lançado em 2018. “Eu tava a fim de aprender como gravar e produzir sozinho e acabou que o projeto nasceu daí, através de experimentações e tentativas. Chegou uma hora que achei que tinha algo para mostrar que foi o primeiro EP. Eu realizo tudo sozinho de acordo com as técnicas que aprendo, equipamentos e tempo que tenho disponível. Então essa é a terapia: ficar em casa testando sons, decifrando onde posso ir com eles e tentando aprender alguma coisa”, conta Renan, em entrevista para o blog Hits Perdidos.

O álbum Corrupted Data孤独死 é uma espécie de continuação do trabalho anterior de Cadu Tenório, o quase homônimo Corrupted Data蝶とクジラ, apresentando dezoito faixas inéditas de eletrônico experimental, drones e noise.

Sweetuf Records
Na torcida para o selo retomar o ritmo das suas produções em 2020. O Sweetuf está de volta com Entropia-Entalpia em Computação Afetiva. São cinco tracks de vibe minimalista ao lado de sintetizadores lisérgicos. Os residentes do selo Thana Resh e Jovem Palerosi assinam os remixes da track Bulício.

Uivo
Dono do selo, o produtor Grassmass assinou dois EPs em 2019. Em Resiste o artista extravasa as aflições causadas na véspera das eleições presidenciais, em frente a vitória do autoritarismo. Vale a pena ouvir Trinidad y Tobago, a composição com mais elementos brasileiros, numa sequência influenciada por Electro e bases de sintetizadores modulares. Bora Bora é um single feito por Kastrup na percussão e MPC e Grassmass no baixo e sintetizadores modulares.

WET DUST RECORDS
Bad_Mix apresentou uma trip de quatros faixas interligadas pelo Electro adicionado de outras experimentações no Privacy Settings. Destaque para a faixa Search History, na qual elementos de Breakbeats foram acrescentados. Além dos experimentos Lo-Fi do EP Obsolete Trust, a gravadora trouxe o Undercity, do Horos, projeto de Bruno Belluomini, mais afeito à pista e gravado com maquinário simples.

Yellow Island Records
Moving Towards Wonder abre o cardápio de brisas da gravadora. See Other é o solo de Brian Abelsen, mentor do curioso globally.ltd, selo que convida músicos a expandir suas visões através do desenvolvimento colaborativo de sites experimentais. Com curadoria de artistas e tecnólogos de Nova Iorque, o coletivo cria experiências de significado e especificidade online, em oposição à internet de plataformas, modelos e fluxos.

Quando vai sair a coletânea Various Artists 002? Esta é sensação após ouvir a primeira edição: Etari, Casinhas Fofas, Bad_ Mix, DJ Camel, Kaiyer & Arduino, Sampaio, Etur Usheo, Nørus & Albin, Ramenzoni, DJ Whipr Snipr & Birdwatcher, DJ Bowlcut , Blurred, JGB, KISEWA e Martinelli. Qual foi mais ouvida? Lookbak, faixa de DJ Camel, projeto do produtor CESRV (Beatwise Recordings). A produtora norte-americana Etari fez o delicado Healing Herself, que contém dois remixes imperdíveis de See Other para a faixa Less Words, More Looking at the Sky. Para encerrar, ainda tem EP do Gawk, cuja track Primrose Gardens ganhou remix do renomado DJ Bowlcut, um dos cabeças da Seoul Community Radio.

OUTROS DESTAQUES

Dissidente – Distantia
“O mini álbum Dissidente foi produzido por mim e por Blaming Waves. Ele é um produtor musical de Belém, o Charles Patrick, juntos formamos o duo Distantia. Ele é um pouco mais jovem que eu, e não nos conhecemos pessoalmente, esse é o mote que tornou esse trabalho tão especial para nós dois. Começamos a colaborar há dois anos atrás, pela internet mesmo. Conheci o trabalho deleatravés do Soundcloud e fizemos uma primeira faixa. Dentro de alguns meses, tínhamos algumas músicas juntos. Por isso, o Juan, um dos criadores do selo colombiano Insurgentes, fez o convite para produzir um lançamento. A ideia era fazer algo mais longo do que um EP e mais curto que um álbum.

O Charles é um produtor musical excepcional, pouca gente conhece o trabalho dele que praticamente só existe no âmbito virtual. A narrativa inspiradora do nome da dupla (Distantia) se baseia no fato de não nos conhecermos pessoalmente e vivermos momentos, lugares muito distantes. O Charles é uma figura mais nerd e trabalha com TI, já eu participo da cena clubber de São Paulo, sou ligada aos núcleos de música eletrônica paulistana. A trivialidade dos acontecimentos da nossa vida, como voltar do trabalho de bicicleta todo dia do trabalho no meio do trânsito louco de São Paulo, ou o cheiro de chuva e o calor insano que faz em Belém nos aproximou através da música. Acho importante posicionar geograficamente nosso trabalho, principalmente por conta do momento político nefasto pelo qual a América Latina, e, principalmente, o Brasil estão passando” – Mari Herzer

Arquelano

Daniel Peixoto
https://tratore.com.br/smartlink/mastigandoremixes?fbclid=IwAR3iLz4jhtgEQ-7UdnEkCAiq2965rVnliU9cgEcjEGDhCX7SqQJIqOm5Vyc

Moblins

CHLORELA

Formiga Dub

LAZA

Luisa e os Alquimistas

NU – Naked Universe

Pink Monkey Flower

Radiola Dub

Zani
https://zanizanizani.bandcamp.com